Relatório sobre proteção ao patrimônio histórico é aprovado

A Comissão de Cultura aprovou na tarde desta quarta-feira (26), o relatório da deputada federal, Luciana Santos, para o Projeto de Lei (PL) da deputada Alice Portugal (ambas do PCdoB) que dispõe sobre a proibição de alienação de bens imóveis, de valor artístico, histórico e/ou cultural, pertencentes a instituições religiosas, que tenham recebido quaisquer imunidades, isenções e benefícios do governo federal.

Aprovado relatório de Luciana Santos sobre proteção ao patrimônio histórico e culturalLuciana Santos que é presidenta do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), disse que a medida se constitui como mais um instrumento para resguardar e preservar o patrimônio cultural brasileiro, no sentido de impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural.

“No que diz respeito ao aspecto cultural, é meritório o objetivo do projeto em análise – evitar que seja disperso ou dilapidado o importante patrimônio histórico, artístico e cultural das igrejas brasileiras, inclusive o acervo documental presente em seus arquivos e bibliotecas”, explicou em seu relatório.

A proposta aprovada se soma a atual política patrimonial e, para Luciana, a torna mais rica uma vez que “adiciona ao instituto do tombamento este novo instrumento de salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro: a inalienabilidade dos bens de valor artístico, histórico ou cultural das instituições religiosas que recebam imunidades, isenções ou benefícios públicos”.

O PL tramita em caráter conclusivo, o que significa que não será submetido ao plenário. Com a aprovação do mérito da matéria na Comissão de Cultura, a proposta será analisada ainda pelas comissões de Finanças e Tributação (CFT), e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

 

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Avanço: PEC da Mulher é aprovada em primeiro turno no Senado

Em histórica votação na noite desta terça-feira (25), véspera do Dia Internacional da Igualdade de Gênero (26), como parte da reforma política em pauta no Congresso Nacional, foi aprovada a PEC 98/2015 que que reserva vagas de gênero de forma progressiva. A proposta recebeu 65 votos favoráveis, sete contrários e uma abstenção. Vamos mudar o mapa da sub-representação política da mulher no Brasil”, comemorou a procuradora Especial da Mulher do Senado, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Bancada feminina no Congresso comemora aprovação no Senado.Senadores e senadoras de diversas legendas favoráveis à proposta ocuparam a tribuna para defender a PEC. A medida atinge Câmara dos Deputados, assembleias legislativas, Câmara Legislativa do Distrito Federal e câmaras municipais. Na avaliação da senadora, o texto não é o ideal, mas representa um avanço.

A senadora disse ainda que a luta pela igualdade na representação política entre os gêneros ganhou força nesse primeiro turno de votação graças ao empenho da bancada feminina do Congresso, que atuou unida desde março na campanha Mais Mulheres na Política, a reforma que o Brasil precisa e ganhou apoios de lideranças em todo o Brasil.

O texto modifica a Constituição e precisa ainda ser aprovado em segundo turno no Senado com o mínimo de 49 votos e depois ser apreciado também em dois turnos na Câmara dos Deputados, onde serão necessários 308 votos.

O aumento de cadeiras para mulheres passará a valer no pleito seguinte à promulgação, quando as casas legislativas dos três níveis do Parlamento brasileiro deverão reservar 10%, 12% e 16% de cadeiras para gêneros diferentes nas eleições seguintes.

O mapa da representação legislativa hoje é de 14 senadoras; 51 deputadas federais; 120 deputadas estaduais e 7.651 vereadoras, o que corresponde nacionalmente a uma média de 10% de mulheres.

A presidenta do PCdoB, deputada federal, Luciana Santos (PE), reforça o pleito das cotas femininas no parlamento. “Somos mais da metade da população do planeta e ainda amargamos situações de desigualdade. Esta não é uma luta sexista, mas contra um modelo econômico e uma cultura machista que estão impregnados na sociedade.”

Sobre a baixa representatividade feminina, a senadora Vanessa destaca que é equivocada a ideia de que “mulher não gosta de política, não quer concorrer”. A questão, acredita, é mais complexa. “Elas não concorrem não porque não querem, mas porque não têm espaço, são discriminadas nos partidos”.

Câmara dos Deputados

Em junho deste ano, a proposta de cota feminina foi inclusa no texto da Reforma Política da Câmara dos Deputados, que reservava gradativamente as vagas para as mulheres. Era assim: 10% das cadeiras para as mulheres na primeira legislatura, passando para 12% na segunda, até chegar a 15%, em 2027. Mas a proposta foi rejeitada, pois recebeu 293 votos favoráveis – eram necessários.

Além do resultado da votação, a postura de alguns parlamentares diante da emenda tornou-se visível a cultura machista no Parlamento. “Entre os defensores da regra, um deputado chegou a dizer que era a favor das cotas porque o plenário ficaria mais bonito. Outro disse ser a favor para dar um voto de confiança às mulheres”, criticou a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo. “É a mais completa tradução de que deputados operam em causa própria, é uma maioria masculina que não tem condições políticas e éticas para reestruturar o sistema político brasileiro”. Mais de 100 deputados votaram contra o mecanismo. Na tribuna, um parlamentar disse que “não é justo é que uma minoria, pequena e de pouco trabalho, conquiste uma cadeira que não é fácil”.

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) fez críticas, em entrevista aoVermelho-BA, sobre o retrocesso das pautas em votação neste ano na Câmara dos Deputados e reafirmou que o retrocesso se deve muito a condução do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para a parlamentar, o presidente tem promovido uma regressão na Câmara Federal, no que se refere à afirmação democrática no Brasil. “Infelizmente, a Câmara dos Deputados tem tido um comendo completamente na contramão da afirmação democrática do país”.

De autoria da deputada Alice Portugal, tramita na Câmara o Projeto de Lei, há seis anos, uma proposta que estabelece normas para facilitar a entrada e a permanência das mulheres no mercado de trabalho. Apesar da importância da pauta, desde 2010, o projeto aguarda deliberação em Plenário. “Hoje, nós temos uma situação melhor, mas ainda estamos longe da equidade. Por isso, precisamos acelerar projetos como este”, cobra a parlamentar.

Representatividade

Autora de tese sobre a representatividade feminina no Poder, Luciana Ramos, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), lembra que existem três tipos de cotas políticas no mundo – reserva de assentos mínimos, cotas partidárias voluntárias e cotas legislativas – que impõem a todos os partidos um percentual mínimo de candidatas. “No Brasil, temos as cotas legislativas, mas isso não é cumprido por uma série de razões, especialmente pelo fato de não ter sanção para o descumprimento dessa lei”, avaliou.

Desigualdade salarial

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as brasileiras ganham, em média, 76% da renda dos homens. Para punir tal prática, o deputado João Derly (PCdoB-RS) apresentou o PL 131/15, que prevê mecanismos de fiscalização contra a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

O Relatório Global de Equidade de Gênero, do Fórum Econômico Mundial revela que a equidade com os homens ainda pode levar oito décadas.

Avanços para se comemorar

Liderança na luta de maior representatividade feminina, a deputada federal Jô Moraes (PCdoB-MG) ressalta que, mesmo com os desafios apontados, há muito que se comemorar como avanço do ponto de vista do empoderamento e representação das mulheres, como a eleição de uma mulher na Presidência da República, que, se somado os votos da presidenta Dilma Rousseff. “Estamos vivendo um momento em que as mulheres estão tendo uma visibilidade muito grande em toda a vida da sociedade, e um momento também em que a sociedade tomou consciência de que o machismo explícito é uma chaga a ser combatida”, comemora.

 

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“País vai voltar a crescer”, reafirma Dilma em entrevista à rádio

A presidenta Dilma Rousseff começou a semana atendendo uma série de veículos de imprensa. Nesta terça-feira (25), em entrevista às rádios Morada de Araraquara e Difusora de Catanduva, do interior de São Paulo, Dilma apontou a crise internacional, que tem atingindo os mercados internacionais, como principal razão do momento na economia que o país enfrenta.

Dilma participa de entrega de residências do Minha Casa, Minha Vida em cidades do interior paulista“Espero que a situação melhore no futuro, mas não tem como garantir que 2016 será maravilhoso. Não teremos uma situação maravilhosa em 2016, mas também não será aquela dificuldade imensa que muitos pintam”, rebateu a presidenta.

Na entrevista concedida por telefone do Palácio do Alvorada, Dilma salientou que a economia brasileira é forte e o governo está tomando todas as medidas para que o impacto seja o menor.

“Vivemos um momento de dificuldade, em que temos de fazer ajustes na economia para voltar a crescer e é razoável que as pessoas se sintam inseguras e preocupadas com o futuro…Faço apelo para que a preocupação não se transforme em pessimismo”, enfatizou.

A presidenta reconhece que num cenário econômico como esse, é natural que as pessoas se preocupem com o emprego e com a alta da inflação “que vem, de fato, crescendo”, mas disse que a boa notícia é que os índices inflacionários começam a cair, com um viés de baixa.

Dilma também voltou a criticar a política do quanto pior melhor da oposição. “As pessoas querem resolver tudo rapidamente, nossa ideia é que as dificuldades sejam superadas o mais rapidamente possível…Mas com gente torcendo pelo ‘quanto pior, melhor’, vai ser mais lento sair da crise”, defendeu.

Sobre a crise do capitalismo, que levou turbulência ao mercado chinês, Dilma afirmou: “As dificuldades não são apenas no Brasil”, disse a presidenta, ressaltando que o seu governo vem adotando as medidas necessárias para o Brasil voltar a crescer.

Minha Casa, Minha Vida

A continuidade dos programas sociais é uma das medidas e também um compromisso assumido pela presidenta. Ela participa, nesta terça-feira (25), em Catanduva, interior paulista, da entrega simultânea de 2.555 novas moradias construídas por meio do Programa Minha Casa Minha Vida. Também serão entregues empreendimentos em Araraquara, Araras e Mauá. No total, mais de 10 mil pessoas serão beneficiadas, todas com renda de até R$ 1,6 mil. No total, foram investidos R$ 211 milhões para a construção das casas.

Só no município de Catanduva serão 1.237 novas unidades, localizadas no Residencial Nova Catanduva I. Em Araraquara, serão 754 unidades do Parque Residencial Valle Verde. Em Araras, 448 famílias serão contempladas com casas no Conjunto Residencial Prefeito Professor Jair Della Colleta. Em Mauá, 116 unidades serão entregues no Conjunto Mauá I.

Redução de ministérios

Nesta segunda-feira (24), a presidenta concedeu entrevistas aos jornais impressos. Ela reafirmou que o governo tem feito a sua parte e anunciou uma reforma administrativa com o objetivo de reduzir o número de ministérios e cortar pelos menos mil cargos e confiança, como parte do ajuste.

Agressão fascista

Dilma salientou que, diante da crise política, as mudanças podem trazer alguma dificuldade, mas afirmou que é necessário fazê-las. “Vamos passar todos os ministérios a limpo”, disse.

A presidenta também comentou sobre a onda conservadora e o ataque a bomba contra a sede do Instituto Lula, em 30 de julho. “Passam de todos os limites”, disse, enfatizando que atos de intolerância são inadmissíveis e “fascistas”.

Fonte: Portal Vermelho

 

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Dilma: “Nessa travessia, não podemos permitir retrocesso”

Durante inauguração da Escola Nacional de Gestão Agropecuária (Enagro), nesta terça-feira (18), a presidenta Dilma Rousseff defendeu as medidas que o governo vem tomando para impedir retrocessos na atividade econômica brasileira.

Nesta terça (18), Dilma recebeu no Palácio do Planalto uma delegação da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos, a AbrinqEntre as ações, a presidenta destacou a política de desonerações, entre elas a dos itens da cesta básica. Segundo Dilma, o objetivo é garantir as condições do país para vencer os desafios que a economia brasileira vem enfrentando. “Nessa travessia, algumas coisas nós não podemos permitir que voltem atrás ou que tenham retrocesso. Dentro disso está o agronegócio, este agronegócio que deu tantos ganhos para o nosso país”, afirmou.

Dilma salientou que, embora o Brasil seja a sétima maior economia do mundo, enfrenta “dificuldades” como outros países. “E ninguém imaginaria isso porque o Brasil, até então, tinha tido um desempenho fantástico [em meio à crise mundial]. Nós tínhamos conseguido superar os seis anos da crise recorrendo a um conjunto de políticas. Hoje, nós não temos como dar suporte a tudo o que fizemos. Desoneramos a folha das empresas, desoneramos a cesta básica e desoneramos uma séria de investimentos produtivos”, disse.

“Mas nós vamos continuar mantendo as desonerações, em alguns casos, na sua integralidade, como é o caso, por exemplo, da cesta básica, mas, em outros casos, teremos de reduzir o nível de desoneração. Por que? Para transitar. É uma travessia que estamos passando”, acrescentou.

Dilma Rousseff salientou também que foram ampliados os recursos para financiamento das atividades do setor agropecuário. O Plano Agrícola e Pecuário 2015-2016 elevou em 20% os recursos destinados ao crédito para financiar a próxima safra. “Acredito que isso é o reconhecimento também, por parte do governo, da imensa importância deste setor”, garantiu a presidenta.

Chanceler alemã

A presidenta Dilma lembrou dos esforços do país para avançar nos acordos comerciais na área da agricultura. E falou do encontro com a chanceler alemã Angela Merkel, que inicia nesta quarta-feira (19) uma agenda oficial no Brasil. “Pretendemos sinalizar que o Brasil está disposto, está pronto para apresentar a sua oferta de acordo comercial, o que também irá beneficiar bastante o setor industrial, mas sobretudo o setor agrícola e pecuário do nosso país”, afirmou.

Encontro com delegação da Abrinq

Também nesta terça (18), a presidenta Dilma se reuniu com representantes da indústria de brinquedos que apresentaram os resultados do setor nos últimos anos e as estratégias para manter o crescimento da produção nacional e a ampliação da participação no mercado interno.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, a produção nacional deve fechar o ano de 2015 com 55% de participação no mercado e a expectativa do setor é chegar, até 2021, ao patamar de 70%.

No último mês de junho, a indústria de brinquedos atingiu a marca de 500 milhões de itens produzidos desde o início de 2011. “É uma marca histórica, isso nunca aconteceu no Brasil e a nossa capacidade já está batendo no teto, no limite máximo. É a hora, portanto, de investir e partir para um novo momento”, afirma.

Para isso, o executivo da Abrinq apresentou à presidenta Dilma um plano de investimentos de US$ 1 bilhão para expansão da capacidade produtiva e a geração de dez mil novos postos de trabalho nos próximos anos. “É importante lembrar que faz cinco anos que o setor de brinquedos não demite e há cinco anos que não fecha nenhuma fábrica. A gente precisa desse investimento para tomar de volta o nosso mercado”, garante.

Ações do governo

Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, os resultados apresentados pela indústria de brinquedos são um exemplo de como as políticas de incentivo do governo têm dado frutos. “É um exemplo de que alguns instrumentos de política industrial podem, sim, oferecer respostas adequadas, sobretudo na perspectiva da recuperação de alguns setores da indústria brasileira”, destacou o ministro.

Entre as ações, Synésio destaca o programa de integração produtiva entre os países do Mercosul. O setor já lançou 40 produtos diferentes que têm conteúdo dos cinco países que compõem o bloco. “O programa de integração permitiu que a gente tivesse redução de custos, aumento de escala econômica e a importação de brinquedos vem caindo ano a ano. No ano passado ela caiu 18%, uma queda de importação de 18% é igual a 18% de injeção de competitividade e a indústria nacional está aqui para poder fazer esse papel”, garante o presidente da Abrinq.

Synésio ressalta que essa não é uma conquista exclusivamente do Brasil e sim fruto da integração de cinco indústrias de brinquedos do Mercosul. Segundo dados da Abrinq, são quatro fábricas no Uruguai, 60 fábricas na Argentina, quatro fábricas no Paraguai, 318 fábricas no Brasil e 42 fábricas na Venezuela. “Não é uma política do governo brasileiro, mas é uma política comandada pelo Brasil, porque nós somos o maior mercado, e nós é que temos o maior número de fábricas”, avalia.

Fonte: Portal Vermelho

 

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Dilma: Somos capazes de superar os desafios e vencer as dificuldades

Durante a entrega de casas do programa Minha Casa, Minha Vida, para mais de 10 mil pessoas, nesta terça-feira (25) em Catanduva, interior de São Paulo, a presidenta Dilma afirmou que é preciso “encarar os problemas de frente” e construir caminhos para que o Brasil supere rapidamente seus desafios da conjuntura atual. Simultaneamente a cerimônia em Catanduva, também foram entregues empreendimentos em Araraquara, Araras e Mauá.
Dilma entregou casas do programa Minha Casa, Minha vida em Catanduva, interior de São Paulo“Quando a gente age juntos somos capazes de realizar mais e melhor. Vamos superar este momento de dificuldades. Todos nós que somos brasileiros sabemos que temos capacidade de superar desafios, de apresentar e de construir caminhos e de chegar a resultados. Quanto mais rápido fizermos isso, mais rápida será a superação das nossas dificuldades”, afirmou Dilma

“Temos que enfrentar os problemas de frente”, disse a presidenta, salientando que quem mais sofre com essa travessia na economia, é a população. Por isso, argumentou Dilma, “jamais é aceitável que se torça para o pior acontecer, porque quando acontece, o pior quem paga é a população do país”, se referindo a política do quanto pior melhor da oposição tucana.

Dilma destacou também que “todos os países do mundo” enfrentam as mesmas dificuldades na economia pelas quais o Brasil passa. “A segunda maior economia do mundo, a chinesa, teve um momento de muita dificuldade. Nós torcemos para que essas dificuldades sejam superadas”, disse.

Ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Dilma destacou a importância da “visão republicana”, salientando que apesar das divergências, os governos devem atuar juntos para o bem do interesse público. “Esta parceria está baseada em uma visão democrática e republicana da coisa pública. Nós podemos divergir, mas temos que agir juntos no que se refere a administração para proteger os interesses da população. Quando a gente age juntos, somos capazes de realizar mais e melhor”, defendeu.

Governabilidade

Ela afirmou ainda que seu governo tem feito “um esforço para que “junto com os governos possamos construir obras e buscar alternativas” para garantir que o país faça a travessia.

“Este empreendimento só é possível porque fizemos uma parceria. Nesta parceria, o governo federal, que é mais forte, porque representa todo o pais e arrecada impostos de todo mundo, entra com a maior parte dos recursos. Em média, as casas custam R$ 70 mil e nós entramos com algo em torno de R$ 55 mil e o governo estadual, R$ 15 mil. Além disso, a prefeitura entra com uma série de empreendimentos que garantem a sustentabilidade, ou seja, esgoto, água tratada, enfim, as condições para que as pessoas possam viver aqui”, declarou Dilma, ressaltando que a parceria entre as três esferas de governo vai continuar.

Casas

Um dos conjuntos habitacionais entregues nesta terça foi o Residencial Nova Catanduva I, considerado um bairro planejado no município do interior paulista. Diferentemente dos programas habitacionais do passado, o empreendimento com 1.237 casas possui completa infraestrutura de drenagem, pavimentação, iluminação pública, esgoto e saneamento.

Mas além da estrutura básica comum a todos os empreendimentos do Minha Casa Minha Vida, o residencial será inaugurado com os chamados equipamentos comunitários, que são: creche, escola, Unidade Básica de Saúde e posto policial. Do total investido no residencial, R$ 4,4 milhões foram destinados à construção dos equipamentos comunitários.

Fonte: Portal Vermelho

 

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1961: A audácia de um líder e a mobilização do povo detiveram o Golpe – Raul Carrion

Tratado como irrelevante pela historiografia oficial, o Movimento da Legalidade – que neste ano de 2015 completa 54 anos – foi, sem dúvida, uma das maiores e mais radicais mobilizações cívicas do Rio Grande do Sul e do Brasil, impedindo – de armas na mão – que o golpe militar fosse antecipado para 1961.
Lembremos que este já fora bloqueado em 1954 pelo gesto extremo do suicídio de Getúlio Vargas e pelas grandes protestos de massas que a ele se seguiram, comovendo todo o País. E que, em 1955, o contragolpe preventivo do Marechal Lott – afastando Carlos Luz da Presidência interina e substituindo-o por Nereu Ramos, Presidente do Senado – foi a única maneira de garantir a posse de Juscelino Kubitscheck, ameaçado pelas articulações golpistas do Vice-Presidente Café Filho e do próprio Presidente da Câmara, deputado Carlos Luz.

Em todos esses acontecimentos, assim como em 1964, uma constante – de um lado as forças conservadoras, entreguistas e antidemocráticas, do outro as forças nacionalistas, que defendiam reformas estruturais para o País e a ampliação da democracia para as amplas massas trabalhadoras. Esse foi, na verdade, o pano de fundo da grande luta pela Legalidade.

Quando Jânio, no dia 25 de agosto de 1961, entregou a sua carta-renúncia aos ministros militares e ao presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, não foi um gesto tresloucado do histriônico presidente do Brasil. Ao contrário – como relataria, anos mais tarde, o próprio Jânio Quadros, no seu livro “História do Povo Brasileiro” –, foi uma tentativa fracassada de auto-golpe, esperando retornar “nos braços do povo”, com poderes absolutos e com apoio militar:

“Nessa altura Jânio Quadros não viu como malograr nos seus objetivos, ainda que com sacrifício próprio. Posto em movimento o esquema, compenetrados e ajustados os ministros militares quanto a esse objetivo essencial, a sua consecução não poderia falhar. (…) Seu raciocínio foi o seguinte: Primeiro operar-se-ia a renúncia; segundo, abrir-se-ia o vazio sucessório – visto que a João Goulart distante na China, não permitiriam as forças militares a posse, e destarte, ficaria o país acéfalo; terceiro ou bem se passaria a uma fórmula, em conseqüência da qual ele mesmo emergisse como primeiro mandatário, mas já dentro do novo regime institucional, ou bem, sem ele, as forças armadas se encarregariam de montar esse novo regime, cabendo depois a um outro cidadão – escolhido por qualquer via, presidir o país sob o novo esquema viável e oportuno. (…) O plano, porém, falhou exatamente na vacilação dos chefes militares. (…) João Goulart, compadecendo-se com a reforma parlamentar, desfez, tal vez sem sabê-lo, todo o plano concertado.”

O fato de João Goulart encontrar-se na China Socialista e ser uma sexta-feira – quando o Congresso normalmente estava vazio – constituíam o panorama ideal para o desenlace planejado. Só que a artimanha foi mal calculada e “o tiro saiu pela culatra” na medida em que a sua renúncia foi imediatamente aceita e o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili, assumiu a Presidência da República.

Tão logo Jânio tornou-se uma “carta fora do baralho”, os três ministros militares – Odílio Deniz, Sylvio Heck e Grun Moss – passaram a tutelar Mazzili e lhe comunicaram que não aceitariam que Jango assumisse a presidência da República, ao retornar ao País. Esse impedimento atendia aos interesses dos Estados Unidos, que temiam que o Brasil adotasse uma orientação simpática a Cuba ou que viesse a ter um alinhamento com a China ou a União Soviética.

Chegada a notícia da renúncia ao conhecimento de Leonel Brizola, este tratou de comunicar-se com Jânio, colocando o Governo do Rio Grande do Sul à sua disposição. Esclarecido que ele não fora compelido a renunciar, Leonel Brizola passou a defender o cumprimento da Constituição e a posse de João Goulart. Nesse contexto, no domingo 27 de agosto, Brizola fez um pronunciamento que teve repercussão nacional:

“O Governo do Estado do Rio Grande do Sul cumpre o dever de assumir o papel que lhe cabe nesta hora grave da vida do País. Cumpre-nos reafirmar nossa inalterável posição ao lado da Legalidade Constitucional. Não pactuamos com golpes ou violências contra a ordem constitucional e contra a liberdade pública. Se o atual Constituição não satisfaz, em muitos de seus aspectos, desejamos o seu aprimoramento e não sua supressão, o que representaria uma regressão e o obscurantismo.

(…)Por motivo dos acontecimentos, como se impunha, o Governo deste Estado dirigiu-se à S. Excia., o Sr. Vice-Presidente da República, Dr. João Goulart, pedindo seu regresso urgente ao País, o que deverá ocorrer nas próximas horas. (…) O povo gaúcho tem imorredouras tradições de amor à Pátria comum e de defesa dos direitos humanos. E seu Governo, instituído pelo voto popular – confiem os Rio-Grandenses e os nossos irmãos de todo o Brasil – não desmentirá estas tradições e saberá cumprir o seu dever.”

Diante da atitude golpista dos ministros militares, Brizola entrou em contato com o Comandante do III Exército – General Machado Lopes – para saber do seu posicionamento. Recebeu a resposta de que “como soldado ficarei com o Exército”. Esse diálogo deixou claro que Machado Lopes se subordinava à postura golpista dos ministros militares. Brizola ainda tentou o apoio de outros comandantes de Exército, no resto do país – como o gaúcho Costa e Silva –, mas em vão. Posteriormente, em entrevista ao jornalista Adaucto Vasconcellos, Brizola relataria: “com muita dificuldade consegui um contato telefônico com o general Costa e Silva, que comandava o IV Exército, no Recife. Nosso diálogo foi duro e violento. Respondi com a mesma moeda suas grosserias e agressividades.”

Apesar do quadro adverso, Brizola não se intimidou. Colocou a Brigada Militar e a Polícia Civil em rigorosa prontidão, fez com que ocupassem os pontos chaves da cidade e organizou a defesa do Palácio Piratini. Concentrou a maioria das tropas da Brigada Militar em Porto Alegre e requisitou todos os depósitos de combustível e pneus.

A Assembleia Legislativa – presidida pelo deputado Hélio Carlomagno (do PSD) –, declarou-se em sessão permanente. Lideranças políticas, sindicais e estudantis reuniram-se na Câmara Municipal de Porto Alegre e decidiram realizar uma manifestação de rua. Saíram da Prefeitura e subiram a Borges de Medeiros, gritando palavras de ordem contra o golpe. Ao chegarem ao Piratini já eram cinco mil, exigindo o respeito à “Legalidade” e a posse de João Goulart. Falando da sacada do Palácio, Brizola aderiu a essa palavra de ordem. Estava começando o “Movimento pela Legalidade”.

Lideranças sindicais como Eloy Martins, Jorge Campezatto, Álvaro Ayala, Luiz Vieira, Lauro Hageman, Ony Nogueira e José Cezar Mesquita, e outros – a maioria do Partido Comunista do Brasil – criaram o Comando Sindical Gaúcho Unificado com a tarefa de fundar Comitês de Resistência Democrática. A sede do Sindicato dos Alfaiates era o coração da mobilização sindical. João Amazonas – então Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil no Rio Grande do Sul – relataria, anos mais tarde: “Nós tomamos uma decisão: vamos organizar batalhões patrióticos. Ocupamos um prédio do governo que tinha ali, na Avenida Borges de Medeiros (…) organizamos os batalhões patrióticos por categoria profissional (…) Alguns dias depois, fizemos um desfile. (…) Tudo organizado por nós.”

No prédio do “Mataborrão”, localizado na Av. Borges de Medeiros com Andrade Neves, lideranças populares, sindicais e estudantis organizaram o primeiro “Comitê de Resistência Democrática” – com forte presença de trabalhistas, comunistas, e socialistas – o qual passou a alistar milhares de pessoas para lutar em defesa da Constituição. Ali estavam a poeta Lila Ripoll, organizando os artistas; o ex-deputado federal comunista Abílio Fernandes; o líder metalúrgico Elói Martins; Fúlvio Petracco, presidente da FEURGS; Fernando Almeida; Carlos Araújo; Victor Douglas Júnior; Luís Heron Araújo; e tantos outros lutadores do povo. Logo, os “Comitês de Resistência Democrática” se espraiaram por todo o Estado. Mais de 100 mil gaúchos se, alistaram para defender a legalidade.

Os dias que se seguiram foram marcados por desfiles dos “Batalhões Operários” da Carris, construção civil, estivadores, marítimos, ferroviários, metalúrgicos, bancários, enfermeiros, etc., e dos Batalhões de secundaristas, universitários, intelectuais, artistas, militares reformados, CTGs, escoteiros, enfim a cidadania mobilizada.

Sem titubear, a UNE decretou uma greve nacional em defesa da posse de João Goulart. Seu presidente, Aldo Arantes – que anos depois foi deputado federal do PCdoB – viajou para o Rio Grande do Sul, onde instalou a sede da UNE. Utilizando a “Rede da Legalidade”, mobilizou os estudantes de todo o país para a resistência ao golpe. O Governador de Goiás, Tenente coronel Mauro Borges Teixeira, lançou uma proclamação à nação, aderindo ao movimento liderado pelo governador do Rio Grande do Sul.

Na Guanabara, a Comissão Permanente das Organizações Sindicais – dirigida pelos comunistas – deflagrou uma greve entre os marítimos, portuários, trabalhadores em transporte de passageiros e trabalhadores indústrias. Os ferroviários da Leopoldina paralisaram suas atividades. No Rio de Janeiro, o Marechal Lott lançou um Manifesto denunciando o veto dos ministros militares à posse de Jango e defendendo o respeito à Constituição. Pouco depois, foi preso na Fortaleza da Lage pelos golpistas.

Ao comunicar-se com o Marechal Lott, Brizola foi orientado a procurar os generais legalistas Oromar Osório – comandante da 1ª Divisão de Cavalaria de Santiago – e o Gen Peri Bevilaqua – da 3ª Divisão de Infantaria de Santa Maria – as duas mais poderosas do III Exército. Os dois generais se solidarizaram de imediato com a causa da Legalidade, inclusive, passando a pressionar Machado Lopes para que defendesse a Constituição. A seguir, Brizola passou a manter contato com as guarnições militares do interior do Estado, a maior parte das quais aderiu à Legalidade. A cada hora que passava, a posição golpista dos ministros militares perdia terreno no seio do III Exército e o próprio General Machado Lopes lhes informava disso em seus comunicados.

Brizola começou, então, a divulgar o manifesto do Marechal Lott, em defesa da legalidade, junto com seu próprio manifesto, ambos amplamente distribuídos aos jornais, rádios e TVs. Seus discursos e entrevistas tinham enorme audiência e despertavam a cidadania rio-grandense. Um número crescente de pessoas passou a concentrar-se na Praça da Matriz, para defender a Constituição. Já eram mais de 50 mil pessoas.

Mas, a medida que as principais rádios divulgam o manifesto de Lott, os seus transmissores eram silenciados e lacrados pelo III Exército. A Rádio Guaíba, cujos proprietários se negaram a transmiti-lo, foi uma das poucas que permaneceram no ar.

Nas primeiras horas do dia 28 de agosto, segunda-feira, Brizola tomou conhecimento de que os ministros golpistas haviam ordenado ao III Exército e ao 5º Comando Aéreo que submetessem o Governo do Rio Grande do Sul, se fosse necessário bombardeando o Palácio Piratini. O Governador tomou, então, a decisão de requisitar a Rádio Guaíba e passou a irradiar diretamente dos porões do Palácio Piratini, convocando o povo a vir para a Praça da Matriz defender a Constituição.

Estava criada a “Rede da Legalidade”, que chegou a englobar 104 emissoras de todo o país, denunciando os golpistas e convocando o povo brasileiro a defender a Constituição. Tropas da Brigada Militar e forças da Polícia Civil foram enviadas para proteger a torre e os transmissores, na Ilha da Pintada. Também a central telefônica foi ocupada e guarnecida por tropas da Brigada Militar.

Ao mesmo tempo, Brizola requisitou mais de três mil revólveres à fábrica Taurus, em Porto Alegre, distribuindo-os aos Batalhões Populares.

Os Ministros Militares chegaram determinar um ataque aéreo ao Palácio Piratini. A ordem era submeter Brizola e todos os que estivessem com ele. Contudo, na base aérea de Canoas, a tentativa dos oficiais aviadores que obedeciam às ordens dos ministros militares de levantar vôo para bombardear o Palácio Piratini, foi impedida pelos suboficiais e sargentos, que desarmaram os aviões e esvaziaram os seus pneus. A seguir, o Tenente-Coronel Aviador Alfeu de Alcântara Monteiro, legalista, assumiu o comando interino da 5ª Zona Aérea e o Major Mário de Oliveira o Comando da Base Aérea de Canoas. Em represália, Alfeu de Alcântara será assassinado ali, em 4 de abril de 1964, logo após o golpe militar.

Mas, a ordem dos golpistas foi reafirmada: calem Leonel Brizola! Tropas do III Exército, por determinação do general golpista Antônio Carlos Muricy, se deslocaram até a Ilha da Pintada para silenciar os transmissores da Rádio Guaíba e calar a “Cadeia da Legalidade”. Porém, no momento em que se preparavam para agir, o General Machado Lopes desautorizou a ação e determinou o seu retorno aos quartéis. Em seguida, solicitou uma reunião com Brizola. Este aceitou, desde que a mesma ocorresse no Palácio Piratini. Não sabendo qual seria o posicionamento do General Machado Lopes, Leonel Brizola fez um pronunciamento patético, defendendo a Legalidade e afirmando que lutaria até o último alento contra qualquer golpe militar:

“nós não nos submeteremos a nenhum golpe, a nenhuma resolução arbitrária. Não pretendemos nos submeter. Que nos esmaguem! Que nos destruam! Que nos chacinem neste Palácio! Chacinado estará o Brasil com a imposição de uma ditadura contra a vontade do seu povo! Está rádio será silenciada tanto aqui como nos transmissores, mas não será silenciada sem balas. (…) Poderei ser esmagado. Poderei ser destruído. Poderei ser morto (…) Não importa. Ficará o nosso protesto, lavando a honra da desta Nação. Aqui resistiremos até o fim. A morte é melhor do que a vida sem honra, sem dignidade e sem glória. (…) Que decolem os jatos! Que atirem os armamentos que tiverem comprado à custa da fome e do sacrifício do povo! Joguem estas armas contra este povo. Já fomos dominados pelos trustes e monopólios norte-americanos. Estaremos aqui para morrer, se necessário. Um dia, nossos filhos e irmãos farão a independência do nosso povo.”

O povo respondeu ao pronunciamento de Brizola afluindo em massa ao Palácio Piratini e à Praça da Matriz. Em pouco tempo eram mais de 100 mil pessoas. Pressionado por essa grande mobilização popular e por seus principais comandantes, Machado Lopes tomou a decisão de não mais acatar as ordens dos ministros militares e apoiar uma saída Constitucional para crise. Como relatou o jornalista Adaucto Vasconcellos: “O general Machado Lopes, comandante do III Exército, à frente de um grupo de oficiais, se aproximava do Palácio lentamente. A massa começou a deslocar-se na direção dos militares. Foram segundos da mais alta dramaticidade. O Hino Nacional, brotado da garganta de milhares de pessoas, petrificou os oficiais. Eles pararam e cantaram com o povo. Machado Lopes estava emocionado e trêmulo. O III Exército estava aderindo à Legalidade.”

Unificado o Rio Grande do Sul com a adesão do III Exército, com seus 120 mil homens – o mais poderoso do País –, reforçado pela Brigada Militar e com o apoio massivo da população, equilibraram-se as forças no tabuleiro nacional, ainda mais que os próprios golpistas não confiavam na unidade do seu campo, onde cada vez mais se levantavam vozes dissonantes. Quando o Presidente Mazzilli – submisso aos Ministros Militares – nomeia para o Comando do III Exército o General Cordeiro de Farias, em substituição a Machado Lopes, este afirma: “prenderei o substituto, tão logo ponha os pés no Rio Grande do Sul!”

Rapidamente é montada a defesa de toda a região Sul. Divisões do III Exército, oriundas do Rio Grande do Sul, atingiram em marcha batida Santa Catarina e o Paraná, dirigindo-se à fronteira com São Paulo. O litoral gaúcho foi tomado por tropas da Brigada Militar. A imprensa noticiou a obstrução (fictícia) da barra de Rio Grande para impedir o acesso das belonaves inimigas à Lagoa dos Patos e a Porto Alegre. O grupo antiaéreo de Caxias do Sul deslocou-se para Porto Alegre. A disposição de luta e a consciência popular cresciam à medida que o tempo passava. A resistência ao golpe transformava-se cada vez mais em um levante popular que envolvia as próprias Forças Armadas e punham em risco o regime.

Diante do imponderável, tanto as elites dominantes quanto os altos mandos militares passaram a trabalhar por uma saída negociada que evitasse a guerra civil. Essa saída foi a casuística emenda parlamentarista, votada em dois turnos nos primeiros dias de setembro e aceita a contragosto pelos ministros militares golpistas.

Finalmente, em 7 de setembro de 1961, João Goulart assumiu a Presidência da República sob um regime parlamentarista. O povo, os trabalhadores, os militares democratas – conduzidos por um grande e destemido líder – haviam vencido! A vitória não havia sido completa, mas, talvez, tenha sido a possível naquelas circunstâncias. O povo havia mostrado a sua vontade e a sua força.
O grande e heróico Movimento da Legalidade foi por muito tempo ignorado pela grande imprensa e pela historiografia oficial. A ordem era manter o episódio no mais completo esquecimento, para que não fosse lembrada a vitoriosa mobilização patriótica e popular que – liderada pela figura intrépida de Leonel Brizola – alterou os rumos da história do Brasil, detendo o golpe que se gestava e derrotando os planos das elites conservadoras.

No ano em que comemoramos os 54 anos da Legalidade e que novas ameaças à democracia surgem no horizonte – orquestradas pelos mesmos que historicamente se opõem a qualquer avanço social –, o exemplo de determinação e de coragem que Leonel Brizola e o povo gaúcho demonstraram em circunstâncias tão difíceis devem servir-nos de modelo e inspiração. Com certeza, em tais momentos, não há espaço para tibiezas e vacilações!

Fonte: Portal Vermelho

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A solidariedade internacionalista militante e a diplomacia – José Reinaldo Carvalho

A solidariedade internacionalista é um dever indeclinável de todo militante dos movimentos políticos e sociais, incluindo os comunistas, socialistas e ativistas da esquerda consequente e revolucionária.
Não somente por definição ideológica, por afirmação teórica de princípios, mas também como condição essencial para a realização de um programa de lutas transformador.

A luta pelo socialismo abrange um feixe de questões a enfrentar concomitantemente. Em países como o Brasil, entrelaçam-se a luta nacional, a democrática e a social. Isto tem a ver com a natureza das classes dominantes brasileiras, atadas por mil e um fios com os potentados imperialistas internacionais, traço ainda mais saliente na época presente, de globalização da economia e domínio do capital financeiro e transnacional, o que atua como fator determinante para que a luta nacional seja encarada como um aspecto essencial da luta anticapitalista e anti-imperialista, por essência uma luta democrática e de classes, que objetivamente se volta contra a burguesia monopolista e financeira.

Por razões de sobrevivência, a classe dominante assume posições antinacionais, dando nova dimensão à atividade de solidariedade internacional, que passa a ter maior incidência na luta política e social cotidiana.

Assim, o ativismo internacionalista da esquerda passa a ser também uma questão interna, transversal a todas as frentes de militância.

Há no país uma organização social, o Cebrapaz, dedicada à solidariedade internacional e à defesa da paz, do ponto de vista democrático, popular e anti-imperialista, atuando unitariamente com todo o movimento social brasileiro na perspectiva de ativar a solidariedade com os povos agredidos pelas potências imperialistas. É lúcida a definição de fundir num só movimento a defesa da paz e a solidariedade internacional e de atuar com perspectiva unitária.

A defesa da política externa brasileira e o apoio a que se desenvolva mais e mais como fator diferencial na luta por uma nova ordem mundial se tornou importante aspecto da atividade internacionalista. O Brasil tornou-se ponderável ator internacional e as posições que assume falam com nitidez sobre o caráter do governo. Foi somente a partir da vitória da esquerda nas eleições de 2002, que o país passou a ter uma política externa inteiramente nova, verdadeiramente independente. Para além de corresponder à emergência do país como força econômica e geopolítica significativa na cena internacional, a política externa brasileira em muito tem contribuído para defender a paz mundial, fomentar a cooperação, ativar a solidariedade, contornar o hegemonismo, impulsionar a integração regional com parâmetros de independência e soberania, preconizar a democratização das relações internacionais, a prevalência do direito sobre a força e reformar as instituições do sistema ONU.

Tudo isso com o pressuposto da ação autônoma, livre das pressões de países que, tanto nas relações bilaterais, como no âmbito do Conselho de Segurança, que instrumentalizam, forcejam no sentido de que o país vote resoluções que se afastam da linha geral da sua própria política externa. De um modo geral, a nossa diplomacia tem atendido bem à exigência de defender a paz e se solidarizar com países agredidos.

Contudo, a recente mudança de voto do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, ao votar contra a República Popular Democrática da Coreia e a Síria, favoravelmente a resoluções apresentadas por forças hostis a esses países, chama negativamente a atenção dos ativistas da solidariedade internacional. Um recurso válido de voto, a que a nossa diplomacia recorre quando se trata de temas sensíveis e muito controversos é a abstenção. Teria que haver um motivo muito forte, uma mudança radical na atuação dos governos da Síria e da Coreia Popular para o Brasil passar da abstenção ao voto contrário.

A própria Missão Permanente do Brasil junto ao Escritório das Nações Unidas, ao fundamentar o voto brasileiro contrário à Coreia Popular, assinala: “O Brasil reconhece que o engajamento do Governo da República Popular Democrática da Coreia durante a segunda revisão periódica universal, com a aceitação de 113 dos 268 recomendações feitas, é digno de nota”.

Não seria mais razoável, então, já que na visão da diplomacia brasileira a Coreia Popular deu passos positivos no sentido das proposições da ONU, merecer um crédito de confiança? Igualmente, ponderamos que no atual quadro mundial, resoluções contrárias a países soberanos abrem caminho à intolerante e antidemocrática política de sanções, que o Brasil tradicionalmente condena, por serem contraproducentes, segundo a visão do Itamaraty.

Também não é aceitável que o Brasil vote contra a Síria, um país agredido, dilacerado por uma guerra civil imposta desde o exterior e que luta com denodo contra o terrorismo. A Síria precisa da solidariedade e do apoio da comunidade internacional.

Obviamente, questões de Estado têm uma dimensão própria para encaminhamento e solução. A nossa manifestação fraterna parte do pressuposto de que há uma dimensão militante, democrática, participativa, que se expressa por meio de partidos políticos e movimentos políticos e sociais, de caráter colaborativo, que não exclui o questionamento e a crítica construtiva, a ser absorvida pelo Estado e o Governo.

Fonte: Portal Vermelho

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“É como se tivesse ficado rico” diz beneficiado pela transposição.

A presidenta Dilma Rousseff entregou a primeira Estação de Bombeamento (EBI-1) do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco. Projeto tem como objetivo garantir a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390 municípios nordestinos. De acordo com a presidenta, as obras serão concluídas até o final de 2016.

 

Fonte: Portal Vermelho

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Paul Krugman: Políticas atuais agravarão a crise

Não culpe a China por novos terremotos financeiros. Fragilidade da economia global tem causas profundas. Resposta convencional – cortar gastos públicos e elevar juros – é a pior possível. Que está causando as quedas abruptas das bolsas de valores? O que elas significam para o futuro? Ninguém tem muitas respostas.

Que está causando as quedas abruptas das bolsas de valores? O que elas significam para o futuro? Ninguém tem muitas respostas.Tentativas de explicar as oscilações diárias nos mercados são normalmente insanas: uma pesquisa em tempo real sobre o crash de 1987 da bolsa de Nova York não encontrou evidência alguma para nenhuma das explicações que os economistas e jornalistas ofereceram para o fato. Descobriram, ao invés disso, que as pessoas estavam vendendo ações porque – você adivinhou! – os preços caíam. E o mercado de ações é um péssimo guia sobre o futuro da economia. Paul Samuelson brincou, certa vez, que os mercados haviam previsto nove das cinco recessões anteriores, e nada havia mudado a este respeito…

De qualquer forma, os investidores estão claramente nervosos – e têm boas razões para isso. Nos EUA, as notícias econômicas mais recentes são boas (ainda que não ótimas), mas o mundo como um todo parece muito propenso a acidentes. Há sete anos, vivemos numa economia global que tropeça de crise em crise. Cada vez que uma parte do mundo finalmente parece colocar-se em pé, outra despenca.

Mas por que a economia mundial continua capengando?

Na superfície, parece uma sucessão incomum de azares. Primeiro, o estouro da bolha imobiliária e a crise bancária desencadeada em consequência. Então, quando o pior parecia haver passado, a Europa mergulhou numa crise de dívidas e numa recessão em dois mergulhos. A Europa ao fim alcançou uma estabilidade precária e começou a crescer de novo – mas agora, assistimos a grandes problemas na China e em outros mercados emergentes, que haviam sido pilares de força.

Contudo, não se trata de acidentes sem relação entre si. Estamos, na verdade, vivendo o que sempre ocorre quando muito dinheiro está em busca de poucas oportunidades de investimento

Mais de uma década atrás, Ben Bernanke, então o presidente do banco central dos EUA (FED), argumento que a disparada do déficit comercial norte-americano não era o resultado de fatores domésticos, mas de uma “abundância global de poupança”. Um volume de poupança muito maior que o de investimentos – na China e em outras nações em desenvolvimento, provocado em parte pelas políticas adotadas em reação à crise asiática dos anos 1990 – estava deslocando-se para os EUA, em busca de lucros. Ele alertou levemente para o fato de que o capital que entrava não estava sendo canalizado para investimentos produtivos, mas para imóveis. É calro que o alerta deveria ter sido muito mais forte (alguns de nós o fizemos). Mas a sugestão de que o boom imobiliário dos EUA era em parte causado por fraqueza em economias de outros países permanece válido.

É claro que o boom converteu-se numa bolha, que provocou enorme estrago ao estourar. E não foi o fim da história. Houve também uma inundação de capitais, da Alemanha e outros países do norte da Europa, para a Espanha, Portugal e Grécia. Isso também provocou a formação de uma bolha, cujo estouro, em 2009-2010 precipitou a crise do euro.

E ainda não acabou. Quando os EUA e a Europa deixaram de ser destinos atraentes para o capital [devido à redução das taxas de juro a quase zero], a abundância global saiu em busca de novas bolhas a inflar, levando moedas como o real brasileiro a altas insustentáveis. Não poderia durar e agora estamos em meio a uma crise de mercados emergentes que faz alguns observadores lembrarem-se da Ásia nos anos 1990 – lembre-se, onde tudo começou.

Portanto, para onde o fluxo cambiante da abundância aponta agora? Talvez, de novo para os EUA, onde um novo fluxo de capitais externos provoca a alta do dólar e pode tornar a indústria novamente não-competitiva.

O que provoca a abundância global? Provavelmente, uma soma de fatores. O crescimento populacional está arrefecendo em todo o mundo e, apesar de toda a fanfarra com as últimas tecnologias, elas não parecem criar nem um grande aumento de produtividade, nem demanda para investimentos. A ideologia da austeridade, que conduziu a um enfraquecimento sem precedentes dos gastos públicos, ampliou o problema. E a inflação baixa, em todo mundo, que significa taxas de juros baixas, mesmo quando as economias estão crescendo aceleradamente, reduziu o espaço para cortar estas taxas, quando as economias se contraem. Qualquer que seja o mix preciso das causas, o importante agora é que os governos assumam seriamente a possibilidade – eu diria probabilidade – de que excesso de poupança e fraqueza econômica global tenha se tornado a nova normalidade.

Minha percepção é de que há, hoje, uma profunda falta de vontade política, mesmo entre governantes sofisticados, para aceitar esta realidade. Em parte, é devido a interesses especiais: Wall Street e os mercados não gostam de ouvir que um mundo instável requer regulação financeira, e os políticos que desejam matar o estado de bem-estar social não querem ouvir que os gastos governamentais não são um problema, no cenário atual.

Mas há também, estou convencido, uma espécie de preconceito emocional contra a própria noção de abundância global. Políticos e tecnocratas gostam de se enxergar como pessoas sérias, que tomam decisões difíceis – como cortar programas populares e elevar taxas de juros. Eles não querem ser informados de que estamos num mundo em que políticas aparentemente rigorosas irão tornar as coisas piores. Mas nós estamos, e elas vão.

Fonte: Portal Vermelho

 

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Bolsas: Queda mundial aponta possível agravamento da crise capitalista

Nesta segunda-feira (24) a Bolsa de Xangai caiu 8,46%, a maior queda desde 2007, influenciando as bolsas de todo o mundo. O índice FTSEurofirst 300 (principal índice europeu de ações) fechou com queda de 5,44% e perdeu cerca de 450 bilhões de euros (R$ 1,8 trilhão) em valor de mercado – pior performance desde novembro de 2008.

 

  No Brasil, após chegar a cair 6,5% durante o dia, o Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) reduziu as perdas e encerrou o dia com baixa de 3,03%, a 44.336,47 pontos. É a menor pontuação de fechamento desde 8 de abril de 2009. O dólar fechou em alta de 1,62%, a R$ 3,553 na venda, o maior valor de fechamento desde 5 de março de 2003.

A coleção de más notícias, no entanto, é maior. O movimento de queda do petróleo, que já dura algumas semanas, também se acelerou nesta segunda-feira, com os preços caindo mais de 5%. Em menos de um ano, preços do petróleo caíram mais de 60%, derrubando ações de todas as petroleiras globais. Outras commodities exportadas pelo Brasil, como o minério de ferro, também enfrentam mínimas históricas.

Quando o governo, especialmente a presidenta Dilma, situava a crise brasileira no quadro de uma crise global, quase todos os comentaristas econômicos da mídia empresarial diziam que o discurso era “mera desculpa”.

Com os acontecimentos desta segunda, diversos analistas já consideram que podemos estar assistindo a um recrudescimento da crise capitalista, talvez ainda mais grave ainda do que a de 2008.

Fonte: Portal Vermelho

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