Vereador André Cacau solicita reparos nas vias de acesso de alguns bairros do município

Em visita às ruas José de Brito Rosado e João Buíque (Nossa Senhora das Graças), Luiz Soares Diniz (Jardim Primavera) e Avenida Cinco (Cohab), verificamos as vias de acesso em péssimo estado de conservação, tanto as vias pavimentadas, como, principalmente, as vias que ainda não foram calçadas, dificultando a mobilidade urbana nessas localidades.

A situação dessas vias é bastante crítica, pois além de buracos, fissuras e pedregulhos soltos, somam-se ainda esgotos a céu aberto, que incomodam bastante os residentes devido à fedentina que invade as casas. Ouvimos alguns moradores que relataram muitos acidentes nos locais, sem contar que, vimos o quanto a população fica suscetível à transmissão de doenças, decorrente do contato com os esgotos a céu aberto. Todos esses transtornos mexem com a rotina de motoristas, ciclistas, pedestres e moradores do local, que além de conviverem com essas adversidades aos redores de suas residências, sabem que o estado atual de suas ruas potencializam mais riscos à comunidade.

No entanto, já solicitamos às autoridades competentes do município, que providenciem serviços de reparos nessas localidades com a máxima urgência, realizando a limpeza das ruas, remoção de entulhos, recapeamento e pavimentação das ruas não calçadas, sobretudo, que tomem medidas para o correto saneamento básico nessas vias, para que a população possa vivenciar a rotina do bairro com melhor infraestrutura e trafegabilidade.

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Ex-primeiro-ministro da Itália: impeachment fará o Brasil perder legitimidade diante do mundo

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Foto: Mídia NINJA

O Brasil perderá legitimidade diante dos outros países e o seu prestígio conquistado nos últimos tempos se o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff for consumado. A constatação é de Massimo D’Alema, ex-primeiro-ministro da Itália. Ele destacou que “o processo de impeachment não tem qualquer base jurídica”.

Ele também enalteceu que uma possível gestão Temer, a emergir do processo golpista, “seria um governo sem legitimidade” e que “o Brasil pagaria um preço internacionalmente por isso”. D’Alema esteve em São Paulo na última segunda-feira, quando participou de um evento organizado pela Aliança Progressista, no qual houve a discussão sobre o golpe e sobre política internacional.

Para Konstantin Woinoff, membro do Partido Social Democrata Alemão e coordenador geral da Aliança, “agora todo mundo se dá conta de que as coisas estão caminhando para um lado perigoso que pode atingir a democracia no Brasil”.

Já para Monica Xavier, senadora uruguaia e membro do Partido Socialista, as conquistas sociais dos últimos anos estão seriamente ameaçadas por uma elite que não consegue mais se eleger por meio das urnas. Ela garantiu que, em seu país, vem tentando difundir a verdade por trás da crise política brasileira, sem repetir os chavões da grande mídia monopolista.

Fonte: O Cafezinho

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O artigo que enfureceu a família Marinho e resultou na humilhação mundial das Organizações Globo

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Foto: Memória Roberto Marinho

Artigo no jornal britânico The Guardian provocou forte reação das Organizações Globo. Por meio de seu vice-presidente, João Roberto Marinho, o grupo Globo insistiu para que tivesse um direito de resposta ao texto. No entanto conseguiram apenas publicar uma carta em inglês na área de comentários da matéria 

A razão real que os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment

por David Miranda, no The Guardian

A história da crise política no Brasil, e a mudança rápida da perspectiva global em torno dela, começa pela sua mídia nacional. A imprensa e as emissoras de TV dominantes no país estão nas mãos de um pequeno grupo de famílias, entre as mais ricas do Brasil, e são claramente conservadoras. Por décadas, esses meios de comunicação têm sido usados em favor dos ricos brasileiros, assegurando que a grande desigualdade social (e a irregularidade política que a causa) permanecesse a mesma.

Aliás, a maioria dos grandes grupos de mídia atuais – que aparentam ser respeitáveis para quem é de fora – apoiaram o golpe militar de 1964 que trouxe duas décadas de uma ditadura de direita e enriqueceu ainda mais as oligarquias do país. Esse evento histórico chave ainda joga uma sombra sobre a identidade e política do país. Essas corporações – lideradas pelos múltiplos braços midiáticos das Organizações Globo – anunciaram o golpe como um ataque nobre à corrupção de um governo progressista democraticamente eleito. Soa familiar?

Por um ano, esses mesmos grupos midiáticos têm vendido uma narrativa atraente: uma população insatisfeita, impulsionada pela fúria contra um governo corrupto, se organiza e demanda a derrubada da primeira presidente mulher do Brasil, Dilma Rousseff, e do Partido dos Trabalhadores (PT). O mundo viu inúmeras imagens de grandes multidões protestando nas ruas, uma visão sempre inspiradora.

Mas o que muitos fora do Brasil não viram foi que a mídia plutocrática do país gastou meses incitando esses protestos (enquanto pretendia apenas “cobri-los”). Os manifestantes não representavam nem de longe a população do Brasil. Ao contrário, eles eram desproporcionalmente brancos e ricos: as mesmas pessoas que se opuseram ao PT e seus programas de combate à pobreza por duas décadas.

Aos poucos, o resto do mundo começou a ver além da caricatura simples e bidimensional criada pela imprensa local, e a reconhecer quem obterá o poder uma vez que Rousseff seja derrubada. Agora tornou-se claro que a corrupção não é a razão de todo o esforço para retirar do cargo a presidente reeleita do Brasil; na verdade, a corrupção é apenas o pretexto.

O partido de Dilma, de centro-esquerda, conseguiu a presidência pela primeira vez em 2002, quando seu antecessor, Lula da Silva, obteve uma vitória espetacular. Graças a sua popularidade e carisma, e reforçada pela grande expansão econômica do Brasil durante seu mandato na presidência, o PT ganhou quatro eleições presidenciais seguidas – incluindo a vitória de Dilma em 2010 e, apenas 18 meses atrás, sua reeleição com 54 milhões de votos.

A elite do país e seus grupos midiáticos fracassaram, várias vezes, em seus esforços para derrotar o partido nas urnas. Mas plutocratas não são conhecidos por aceitarem a derrota de forma gentil, ou por jogarem de acordo com as regras. O que foram incapazes de conseguir democraticamente, eles agora estão tentando alcançar de maneira antidemocrática: agrupando uma mistura bizarra de políticos – evangélicos extremistas, apoiadores da extrema direita que defendem a volta do regime militar, figuras dos bastidores sem ideologia alguma – para simplesmente derrubarem ela do cargo.

Inclusive, aqueles liderando a campanha pelo impeachment dela e os que estão na linha sucessória do poder – principalmente o inelegível Presidente da Câmara Eduardo Cunha – estão bem mais envolvidos em escândalos de corrupção do que ela. Cunha foi pego ano passado com milhões de dólares de subornos em contas secretas na Suíça, logo depois de ter mentido ao negar no Congresso que tivesse contas no exterior. Cunha também aparece no Panamá Papers, com provas de que agiu para esconder seus milhões ilícitos em paraísos fiscais para não ser detectado e evitar responsabilidades fiscais.

É impossível marchar de forma convincente atrás de um banner de “contra a corrupção” e “democracia” quando simultaneamente se trabalha para instalar no poder algumas das figuras políticas mais corruptas e antipáticas do país. Palavras não podem descrever o surrealismo de assistir a votação no Congresso do pedido de impeachment para o Senado, enquanto um membro evidentemente corrupto após o outro se endereçava a Cunha, proclamando com uma expressão séria que votavam pela remoção de Dilma por causa da raiva que sentiam da corrupção.

Como o The Guardian reportou: “Sim, votou Paulo Maluf, que está na lista vermelha da Interpol por conspiração. Sim, votou Nilton Capixaba, que é acusado de lavagem de dinheiro. ‘Pelo amor de Deus, sim!’ declarou Silas Câmara, que está sob investigação por forjar documentos e por desvio de dinheiro público.”

Mas esses políticos abusaram da situação. Nem os mais poderosos do Brasil podem convencer o mundo de que o impeachment de Dilma é sobre combater a corrupção – seu esquema iria dar mais poder a políticos cujos escândalos próprios destruiriam qualquer carreira em uma democracia saudável.

Um artigo do New York Times da semana passada reportou que “60% dos 594 membros do Congresso brasileiro” – aqueles votando para a cassação de Dilma- “enfrentam sérias acusações como suborno, fraude eleitoral, desmatamento ilegal, sequestro e homicídio”. Por contraste, disse o artigo, Rousseff “é uma espécie rara entre as principais figuras políticas do Brasil: Ela não foi acusada de roubar para si mesma”.

O chocante espetáculo da Câmara dos Deputados televisionado domingo passado recebeu atenção mundial devido a algumas repulsivas (e reveladoras) afirmações dos defensores do impeachment. Um deles, o proeminente congressista de direita Jair Bolsonaro – que muitos esperam que concorra à presidência e em pesquisas recentes é o candidato líder entre os brasileiros mais ricos – disse que estava votando em homenagem a um coronel que violou os direitos humanos durante a ditadura militar e que foi um dos torturadores responsáveis por Dilma. Seu filho, Eduardo, orgulhosamente dedicou o voto aos “militares de 64” – aqueles que lideraram o golpe.

Até agora, os brasileiros têm direcionando sua atenção exclusivamente para Rousseff, que está profundamente impopular devido à grave recessão atual do país. Ninguém sabe como os brasileiros, especialmente as classes mais pobres e trabalhadoras, irão reagir quando virem seu novo chefe de estado recém-instalado: um vice-presidente pró-negócios, sem identidade e manchado de corrupção que, segundo as pesquisas mostram, a maioria dos brasileiros também querem que seja cassado.

O mais instável de tudo é que muitos – incluindo os promotores e investigadores que tem promovido a varredura da corrupção – temem que o real plano por trás do impeachment de Rousseff é botar um fim nas investigações em andamento, assim protegendo a corrupção, invés de puni-la. Há um risco real de que uma vez que ela seja cassada, a mídia brasileira não irá mais se focar na corrupção, o interesse público irá se desmanchar, e as novas facções de Brasília no poder estarão hábeis para explorar o apoio da maioria do Congresso para paralisar as investigações e se protegerem.

Por fim, as elites políticas e a mídia do Brasil têm brincado com os mecanismos da democracia. Isso é um jogo imprevisível e perigoso para se jogar em qualquer lugar, porém mais ainda em uma democracia tão jovem com uma história recente de instabilidade política e tirania, e onde milhões estão furiosos com a crise econômica que enfrentam.”

 

 

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Brasil é exemplo da miséria moral da política, diz Vital Moreira

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Miséria política

Por Vital Moreira, Professor da Universidade de Coimbra

Estando Dilma aparentemente livre de qualquer acusação ou suspeição de corrupção, vê-se porém acusada pelo voto de dezenas e dezenas de deputados indiciados ou suspeitos de crimes de corrupção. Dificilmente se poderia imaginar maior exemplo de miséria moral da política.

1. Se o Brasil tivesse um sistema de governo parlamentar, é evidente que o governo de Dilma Rousseff, cujo apoio no Congresso dependia da coligação de uma dúzia de partidos, já teria caído por desagregação da heteróclita coligação parlamentar, tão grave é a situação económica e social do Brasil e tão grande é o desamparo político do Governo.

Simplesmente, o Brasil tem um sistema de governo presidencialista, que copiou dos Estados Unidos em 1891 e que foi confirmado num plebiscito um século depois, em 1993. Ora, no presidencialismo o governo é chefiado pelo próprio Presidente da República e o seu mandato não depende da confiança política do Parlamento, havendo uma estrita separação e independência recíproca do Parlamento e do Governo. Nem o Presidente da República pode dissolver o Parlamento, nem o Parlamento pode demitir o Governo (ou seja, o Presidente da República) por discordância ou desconfiança política.

De resto, sendo o PR diretamente eleito, e tendo portanto a sua própria legitimidade política, seria incongruente, para não dizer antidemocrático, admitir a demissão do Governo pelo Parlamento, como sucede num sistema parlamentar, onde o Governo retira a sua legitimidade das eleições parlamentares e do apoio parlamentar de que dispõe (e enquanto dele dispõe).

Todavia, junto com o sistema presidencialista, o Brasil copiou de Washington também a figura do ‘impeachment’ , ou seja, a possibilidade de destituição do Presidente da República pelo Congresso por crimes praticados no exercício de funções (“crimes de responsabilidade”), cujo julgamento não cabe aos tribunais (como acontece entre nós) mas sim ao Senado sob acusação da Câmara dos Deputados.

2. No entanto, tem de julgar-se constitucionalmente anómala a destituição da Presidente Dilma Rousseff sob pretexto de alegadas infrações orçamentais, aliás prática comum no Brasil, que no mínimo não estão legalmente tipificadas como “crime de responsabilidade” e que, portanto, só forçadamente podem dar lugar a acusação e condenação da Presidente.

Tudo indica tratar-se de um manifesto “desvio de poder” constitucional, tendo razão os partidários da Presidente quando alegam que “‘impeachment’ sem crime é golpe!”. Resta saber se a condenação, mesmo se definitiva, não vai ser ela mesma impugnada por inconstitucionalidade, prolongando a crise política! Além da falta de fundamento constitucional, a destituição da Presidente foi rodeada de circunstâncias que maculam a sua lisura política.

Primeiro, a destituição foi “articulada” diretamente pelo próprio vice-presidente da República, Michel Temer, que deve a sua eleição aos votos da Presidente (visto que não há eleição separada) e que, como vice-presidente do executivo, é co-responsável ou pelo menos cúmplice nas infrações que são imputadas à Presidente. Ora, com a destituição, o vice-presidente toma automaticamente o lugar e conclui o mandato da Presidente, cujo afastamento ele próprio deslealmente conduziu.

Em segundo lugar, estando a Presidente aparentemente livre de qualquer acusação ou suspeição de corrupção, ela vê-se porém acusada pelo voto de dezenas e dezenas de deputados indiciados ou suspeitos de crimes de corrupção. Dificilmente se poderia imaginar maior exemplo de miséria moral da política.

Resta saber se depois desta sumária “defenestração” da Presidente eleita, um Presidente sem legitimidade eleitoral própria terá autoridade e condições políticas para governar o país no meio de uma grave crise económica e social e num ambiente político envenenado pelo ódio e pelo ressentimento.

O Prof. Dr. Vital Moreira é Catedrático da  Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e um dos mais ilustres e respeitados constitucionalistas europeus, no Diário Econômico de Portugal. O autor escreve ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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Governo do Estado entrega escritura definitiva do antigo terreno da CAGEPE para a Diocese Salgueiro

dioceseEstá cada vez mais próximo de Salgueiro ganhar uma Catedral. Nesta sexta-feira (22) o governador Paulo Câmara realizará a entrega da escritura definitiva do terreno da antiga CAGEPE para a Diocese Salgueiro.

A solenidade acontecerá às 8h, no Auditório da Cúria Diocesana de Salgueiro, onde o governador passará a escritura para as mãos do bispo Dom Maguns Henrique, fruto de uma permuta de duas áreas de terra da Diocese Salgueiro com o Governo do Estado.

O governador está no município para realizar também a assinatura da ordem de serviço para o asfaltamento da rodovia estadual que dá acesso ao distrito de Conceição das Crioulas. A obra é uma antiga reivindicação da comunidade remanescente de quilombolas.

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Alckmin pedalou mais que Dilma. Existe impeachment na terra dos tucanos?

 

 

 

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Alckmin pedalou mais que Dilma

Por Vitor Amatucci, no ImprenÇa

A votação do impeachment pelos deputados com a já famosa ficha corrida feita por este blog – falamos, claro, de Eduardo Cunha, Aécio Neves, Michel Temer, entre outros – aprovou o andamento do processo do impeachment de Dilma Rousseff. O motivo: as pedaladas fiscais.

Fato é que o governo Dilma executou cerca de 72 bilhões de reais em 2015, referentes a decretos de crédito suplementar, constituindo as tais pedaladas fiscais. A questão é que o orçamento da União é da ordem de 1,3 trilhão de reais {{dinheiro para chuchu! – não acredite em mim – PDF}}, o que significa que os decretos representam 5,54% do total orçamentário. No caso do governador Bond Bico {{lá vem o chuchu de novo}} foram  quase 14 bilhões de reais em 2015, valor que representa 6,86% do total orçado para o Governo do Estado de São Paulo {{cerca de 204 bilhões – não acredite em mim – G1}}.

Os três maiores decretos suplementares foram:

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No link da legenda da foto você clica “decretos” e pode conferir um a um os números aqui colocados. Mas corra, logo menos o governador coloca essas dados em sigilo também.

A pergunta que fica é: Haverá votação pela abertura do processo de impeachment na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ?

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Só o futuro para explicar como um tipo como Eduardo Cunha pode estar tão próximo da presidência

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Só o futuro poderá explicar como um vigarista como Eduardo Cunha pode, a esta altura, estar no comando de um processo tão importante para o país como o que trata do impeachment presidencial.

Não há explicação racional para que Cunha, diante de provas tão contundentes de roubalheira e achaque, não esteja na prisão.

A situação confortável de Cunha é, em suma, um fabuloso fracasso nacional. É o Brasil, coletivamente, que falhou miseravelmente na condução do caso de uma das maiores e mais claras vocações de corrupção da história do país, se não a maior.

No Roda Viva desta segunda, um entrevistador perguntou a Marco Aurélio Mello por que o STF não mandava –pelo menos – afastar Cunha.

Foi o único momento em que Mello não foi convincente. Ele juntou palavras sem oferecer uma resposta razoável.

Um país do tamanho e da importância do Brasil teria que dispor de proteções automáticas contra um tipo como Cunha. Na verdade, todos imaginávamos que as houvesse, mas não: como a realidade duramente mostrou estamos à mercê de psicopatas poderosos como ele.

Não haveria, em sociedade nenhuma minimamente avançada em todo o mundo, saída para Cunha depois que as autoridades suíças brindaram as brasileiras com evidências irretorquíveis de crimes do presidente da Câmara.

Era um homem morto andando.

Ele tinha profanado a Câmara ao dizer, pouco antes, que não tinha conta no exterior. Não tinha uma, mas várias.

Nada, nada e nada aconteceu com ele.

Delatores falaram, com terror nos olhos, das ameaças que sofreram para não citá-lo em suas delações. Até as famílias dos delatoras foram ameaçadas por paus mandados de Cunha.

A mesma história de ameaças foi contada depois por um deputado que seria o responsável pela comissão de ética que decidiria sobre o afastamento de Cunha.

Mais uma vez, nada, nada e nada.

Delcídio falou. E contou que a origem dos ataques devastadores de Cunha a Dilma estava no fato de que ela tirara homens dele de Furnas para moralizar uma empresa saqueada brutalmente.

Novamente, nada, nada e nada.

Era amplamente sabido que Cunha chantageava o governo em torno do pedido de impeachment formulado pela rainha da sanidade Janaína Paschoal e o nonagenário Bicudo.

Ninguém deu um passo para dificultar uma chantagem indecente, abjeta, feita à luz do dia.

Espasmos inúteis, patéticos, vergonhosos surgiram aqui e ali. Janot falou muito e fez pouco. Teori falou pouco e fez menos ainda. O governo ficou mudo e ficou parado como que à espera de um milagre.

À imobilidade destes se somou o oportunismo vil de homens como Aécio e FHC, e tudo isso foi coroado pela proteção suja que lhe foi oferecida pela mídia, a começar pela Globo.

Certas coisas podem ser definidas como fracassos nacionais. Os alemães falharam coletivamente com Hitler. Até hoje se envergonham ao falar do assunto.

Eduardo Cunha é um formidável malogro brasileiro.

Talvez o futuro encontre uma explicação para isso. No presente, ela não existe.

Um meliante que deveria estar no xilindró nunca esteve tão perto da presidência da República.

E nada, nada, nada acontece.

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Defesa de Lula vai ao STF contra Moro

31d75401-6c0f-48cb-b91d-91da1acbb01fNa data de hoje [ontem] ( 6/4/2016), pedi ao Supremo Tribunal Federal providências em relação ao juiz Sérgio Moro por ter sido alvo de interceptação telefônica ilegal no exercício da profissão.

Na petição apresentada, também demonstrei ao STF que as informações prestadas pelo juiz Moro no que diz respeito à interceptação do principal ramal do escritório Teixeira,Martins & Advogados não subsistem à análise dos ofícios encaminhados pela empresa de telefonia, que identificaram como sendo de um escritório de advocacia o número grampeado.

A interceptação do telefone de  advogados e de escritório de advocacia, além de contrariar expressamente a legislação brasileira e Tratados Internacionais dos quais o Brasil é signatário, abala o próprio Estado Democrático de Direito.

Roberto Teixeira

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Documentos indicam grampo ilegal e abusos de Moro na origem da Lava Jato

FONTE: Pedro Lopes e Vinícius Segalla
Do UOL, em São Paulo

 

MORO

 

Nas últimas semanas, a operação Lava Jato levantou polêmica ao divulgar conversas entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a atual presidente Dilma Rousseff (PT). Os questionamentos sobre a legalidade da investigação, entretanto, surgem desde sua origem, há quase dez anos. Documentos obtidos pelo UOL apontam indícios da existência de uma prova ilegal no embrião da operação, manobras para manter a competência na 13ª Vara Federal de Curitiba, do juiz Sergio Moro, e até pressão sobre prisioneiros.

Esses fatos são alvo de uma reclamação constitucional, movida pela defesa de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, no STF (Supremo Tribunal Federal). A ação pede que as investigações da Lava Jato que ainda não resultaram em denúncias sejam retiradas de Moro e encaminhadas aos juízos competentes, em São Paulo e no próprio STF. Para ler a íntegra do documento.

Como presidente do Instituto Lula, Okamatto também foi alvo da 24ª fase da operação. Ele foi ouvido pela força-tarefa para tentar esclarecer como o instituto e a LILS Palestras receberam R$ 30 milhões de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras. Parte do dinheiro foi transferido do Instituto Lula para empresas de filhos do ex-presidente, segundo a investigação.

A reportagem ouviu nove profissionais do Direito, dentre advogados sem relação com o caso e especialistas de renome em processo penal, e a eles submeteu a reclamação constitucional e os documentos obtidos. Os juristas afirmam que a Operação Lava Jato, já há algum tempo, deveria ter sido retirada da 13ª Vara Federal de Curitiba, além de ter sido palco de abusos de legalidade.

O portal também questionou o juiz Sergio Moro sobre o assunto, mas o magistrado preferiu não se pronunciar (leia mais ao final desta reportagem).

Veja os principais pontos questionados:
Origem em grampo ilegal 

A Lava Jato foi deflagrada em 2014, mas as investigações já aconteciam desde 2006, quando foi instaurado um procedimento criminal para investigar relações entre o ex-deputado José Janene (PP), já falecido, e o doleiro Alberto Youssef, peça central no escândalo da Petrobras. Entretanto, um documento de 2009 da própria PF (Polícia Federal), obtido pelo UOL, afirma que o elo entre Youssef e Janene e a investigação surgiram de um grampo aparentemente ilegal.

A conversa grampeada em 2006, à qual a reportagem também teve acesso, é entre o advogado Adolfo Góis e Roberto Brasilano, então assessor de Janene. Seu conteúdo envolve instruções sobre um depoimento, exercício típico e legal da advocacia. Os desdobramentos dessa ligação chegaram, anos depois, a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e o primeiro delator da Lava JATO.

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A esquerda é maior que partidos políticos. E mais resistente ao tempo

POR: Leonardo Sakamoto

 

Somos educados desde cedo para tomar partido na luta do bem contra o mal e não para entender a pluralidade de pontos de vista ou mesmo o fato de que “bem” e “mal”’ são construções que atendem a interesses de determinados grupos sociais. Que não são absolutos e precisam ser enxergados à luz de seu contexto.

É tão raso quando alguém atribui a origem de todos os males a um único partido, seja PT ou PSDB (tenho dúvidas sobre o PMDB, mas vá lá). Ainda mais quando sabemos que as coisas são bem mais complexas e que um posicionamento político não significa filiação partidária.

Já publiquei esta discussão no blog, mas frente à violência política que estamos vendo nas redes e nas ruas por parte de simpatizantes dos mais diversos posicionamentos políticos, resolvi atualizá-la.

Fico fascinado quando alguém identifica um perfil de esquerda (desculpe, mas na falta de uma categoria melhor para agrupar essa massa disforme vai essa palavra desgastada e mal-entendida mesmo) em minha matriz de intepretação do mundo e, ato reflexo, me chama de “petista”.

Como se todo o petista fosse obrigatoriamente de esquerda (nada mais equivocado) e como se toda esquerda não fosse, em si, muito maior que um partido em questão.

Isso lembra o início do século 20, quando imigrantes libaneses e sírios eram chamados, por aqui, indiscriminadamente de turcos por causa do passaporte emitido pelo Império Otomano. O que, claramente, deixava muitos libaneses e sírios intrigados.

Revolta expressa de forma magistral pelo turco Rachid, da novela Renascer? “Nós não turco, nós li-ba-nês”. Então, como já disse antes neste blog, repito para ser bem didático: nós não petista, nós de es-quer-da.

Concordo com ações adotadas pelo governo federal quando elas vão ao encontro de um ponto de vista sobre qual deve ser a real função do poder público (como a libertação de escravos e a implementação de instrumentos para punir economicamente empresas que se beneficiam da superexploração do trabalhador).

Pondero quando o governo toca ações importantes, mas que precisam de melhorias para efetivarem todas as suas possibilidades e criarem sustentabilidade (como o próprio Bolsa Família).

E protesto veementemente quando o governo vai contra o que tenho como princípio. Por exemplo, o tomaladacá no Congresso e a corrupção como instrumento de governabilidade, a política anacrônica de “desenvolvimento”, que passa por cima de comunidades indígenas e tradicionais para gerar energia elétrica, o assalto aos direitos trabalhistas e previdenciários no intuito de fazer caixa e resolver os erros do próprio governo, propor um lei antiterrorismo bisonha. Que, infelizmente, tem sido a maioria dos casos.

Este blog tem quase dez anos de vida. Quem frequenta este espaço sabe que o estelionato eleitoral do atual governo não representa minha visão de mundo. Este que vos escreve tem muito mais textos criticando políticas do Planalto do que concordando com elas. Mas isso não importa. Pois na cabeça de muita gente, de um lado ou de outro, estamos vivendo uma guerra. E, em uma guerra, encontramos espécimes que latem coisas do tipo: “Ou você está comigo ou está contra mim, porque o mundo se divide em amigos e inimigos”.

O que torna os almoços de família no domingo uma prova de resistência hepática.

Mesmo um partido no governo ou na oposição não é algo monolítico e sim dividido em correntes. E há divergências entre base e cúpula ou quem trabalha em função remunerada e quem é voluntário. Há pessoas que ficam possessas com atitudes das altas instâncias de um partido, pois acreditam nas mesmas bases que levaram à fundação de um partido décadas atrás.

Nesta semana, emprestei um ombro para dois amigos, um do PSDB e outro do PT, lamentarem que ambas as agremiações são, hoje, apenas uma sombra dos ideais do passado. Lembrei a eles que, se tudo der errado, teremos sempre o bom e velho Bernie Sanders.

Tal qual um sinal colorido captado por uma televisão em preto e branco, encontramos com frequência gente que, diante de uma profusão de cores e tonalidades, forçam o mundo a perder toda sua riqueza e se ajustar a uma realidade com menos graça. O que reina são tons de cinza. E, ainda assim, menos de 50 deles.

Mas como exigir que consiga verbalizar a distinção de cores se elas nunca lhe foram devidamente apresentadas? Ou, pior: se sistematicamente mostramos esse mundo na mídia, evitando dar voz aos diferentes matizes ou mostrá-los? Pelo contrário, mostramos que tudo se resume a céu ou inferno – quando, na verdade, céu e inferno não existem.

Cultura política deveria ser algo melhor fomentado, desde cedo, via estrutura formal de educação. Mas também através de nosso trabalho como jornalistas, evitando simplificações políticas, onde há complexidade.

Animar o debate público de qualidade para mostrar que há matizes e zonas cinzentas mesmo dentro de grupos que parecem coesos é fundamental. Não fazendo picuinhas, mas analisando o que significa cada discurso.

Ajudaria, é claro, se todo mundo LESSE OS TEXTOS ATÉ O FINAL ao invés de só passar o olho pelos títulos e fotos e fizesse um esforço para sua interpretação. Mas como atravessamos a adolescência da internet, em que as pessoas estão com os hormônios à flor da pele, vale uma certa quantidade de resignação e de torcida para que a fase de descobertas pessoais passe rápido.

A esquerda e seus ideais são maiores que partidos que dizem falar em seu nome e decepcionam o povo ao se tornar aquilo que mais criticavam no intuito de se manter no poder. Esse erros fazem com que décadas se percam, passos sejam dados para trás, conquistas acabem lançadas no lixo.

Mas a esquerda também é maior que pessoas que não gostam de ler livros de história. Porque a história de movimentos contra-hegemônicos é uma história de reconstrução.

Um partido pode se esfacelar diante de seus erros e dos crimes de seus membros. Mas uma ideia, não. Líderes, falsos ou verdadeiros, caem a toda a hora. Mas uma ideia, não. Podemos morrer a qualquer momento, atropelados por um carro ou atingidos por um maluco. Mas a ideia defendida coletivamente sobrevive.

Porque a ideia da luta por justiça social e dignidade e pelo direito à identidade e o combate à desigualdade nas grandes cidades e no campo segue viva com movimentos, coletivos e organizações. Bem como a defesa de uma democracia popular e participativa, longe dos palácios e mais perto do povo.

Com pessoas conversando, reconhecendo-se na opressão e tomando as rédeas da sua própria vida e do lugar em que vivem.

Para alguns, isso é reconfortante. Para outros, desesperador…

Dias atrás, publiquei uma entrevista que criticava Dilma, dizendo que ela atacava a democracia por sancionar a lei antiterrorismo. Daí, recebi mensagens de leitores dizendo que havia acabado a minha “bolsa-mortadela” e eu tinha ido para a oposicão.

Naquela noite, postei outro texto falando sobre a manifestação contra o impeachment na Paulista e o risco do macarthismo à brasileira, em tempos que não se pode usar vermelho na rua.

Um dos leitores, que me criticara no primeiro texto, revoltado, me escreveu. Perdido, não sabia me posicionar entre o seu céu e o seu inferno e perguntou: “O que você é afinal, seu idiota?”.

Daí, lembrei-me do saudoso Eduardo Galeano:

“A Igreja diz: o corpo é uma culpa. A Ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. E o corpo diz: eu sou uma festa.”

 

 

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